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Image by Ricardo Espejo Catalán

TOC:

a mente presa em pensamentos e rituais

TOC É COISA SÉRIA!

Você já assistiu algum filme de cinema em que um dos personagens se envolve em vários pensamentos obsessivos e rituais repetitivos? Geralmente, esses filmes são comédias. Se por um lado, é uma maneira de falar sobre o assunto de forma bem-humorada, o filme pode deixar a impressão errada de que a pessoa com transtorno obsessivo-compulsivo é apenas alguém que tem suas "manias" e superstições engraçadas.  

 

A verdade é que as pessoas que sofrem com o transtorno obsessivo-compulsivo vivenciam um turbilhão de pensamentos intrusivos e involuntários geralmente associados aos seus piores temores. A realização de rituais físicos ou mentais é uma tentativa de aliviar da aflição, o medo, a sensação de nojo ou de incompletude que estão frequentemente expostos. 

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Preciso dizer também que as pessoas que sofrem de TOC podem enfrentar diferentes graus de severidade dos sintomas e que há uma diversidade de formas de manifestação do TOC. Não é só sobre limpeza, não é apenas organizar coisas e buscar a simetria. Esse desconhecimento das diversas formas de TOC pode levar a demora de acesso ao tratamento. Quanto mais tempo sem o tratamento adequado, mas grave fica o quadro clínico.

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Acontece também de muitas pessoas com TOC terem vergonha de seus rituais e pensamentos obsessivos e, em função disto, procuram escondê-los de seus familiares e amigos. Julgam-se fracas ou culpadas por não conseguir controlar tais pensamentos e comportamentos, o que leva ao isolamento, a diminuição da autoestima e, não raro, ao desenvolvimento de depressão. Isto é mais comum ainda naquelas pessoas cujas obsessões são pensamentos impróprios envolvendo agressão, sexo, pensamentos obscenos ou blasfêmias, ou quando o TOC é muito grave e incapacitante.

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Estima-se que pelo menos 3 em cada 100 pessoas passe por este problema ao longo da vida. O TOC, muitas vezes, se inicia entre o final da infância e início da adolescência mas também pode aparecer apenas na vida adulta.

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TOC - Isso acontece comigo?

Preocupo-me demais com sujeira, germes, contaminação, pó ou doenças.

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Lavo as mãos a todo o momento ou de forma exagerada.

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Limpo ou lavo demasiadamente o piso, móveis, roupas ou objetos.

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Tomo vários banhos por dia ou demoro demasiadamente no banho.

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Não toco em certos objetos (corrimãos, trincos de portas, dinheiro, etc.) sem lavar as mãos depois.

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Evito certos lugares (banheiros públicos, hospitais, cemitérios) por considerá-los pouco limpos ou achar que posso contrair doenças.

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Verifico portas, janelas, o gás, mais do que o necessário.

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Verifico repetidamente o fogão, as torneiras, aparelhos elétricos, interruptores de luz mesmo após desligá-los.

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Minha mente é invadida por pensamentos desagradáveis e impróprios, que me causam aflição e que nem sempre consigo afastá-los.

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Tenho sempre muitas dúvidas, repetindo várias vezes a mesma tarefa ou pergunta para ter certeza de que não vou errar.

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Preocupo-me demais com a ordem, o alinhamento ou simetria das coisas, e fico aflito(a) quando estão fora do lugar.

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Necessito fazer coisas de forma repetida e sem sentido (tocar, repetir certos números, palavras ou frases).

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Sou muito supersticioso com números, cores, datas ou lugares.

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Necessito contar, repetir frases, palavras, enquanto estou fazendo coisas.

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Guardo coisas inúteis (jornais velhos, caixas vazias, sapatos ou roupas velhas) e tenho muita dificuldade em desfazer-me delas.

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Se você se identificou com algumas dessas frases, vale a pena procurar um psiquiatra ou um psicólogo para conversar e esclarecer um pouco mais.

O QUE CAUSA O TOC?

Não se sabe exatamente o que provoca o TOC. Pesquisas têm apontado fatores neurobiológicos, incluindo a predisposição genética, e fatores psicológicos, aprendizagens e crenças distorcidas, como influenciadores do aparecimento e da manutenção dos sintomas. TOC é, então, um transtorno com uma base neurobiológica importante. Esta condição cerebral afeta o modo como as crianças, adolescentes e adultos pensam e se comportam.

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O QUE AS PESSOAS PODEM SENTIR?

As pessoas que experimentam essa condição estão permanentemente em sofrimento diante da possibilidade de algo terrível vir a acontecer, como por exemplo, contaminar-se com bactérias e adoecer gravemente, cometer falhas graves, atropelar, ferir ou fazer algo de mal a alguém. Sentem-se excessivamente responsáveis por eventos que estão fora de seu controle e são atormentados por dúvidas, pensamentos que julgam inapropriados, imagens de conteúdo violento ou sexual indesejáveis. Com dificuldade de livrar-se desses pensamentos, se envolvem em rituais mentais ou comportamentais como lavar as mãos ou tomar banhos excessivamente, fazer verificações de forma repetida, dizer a si mesmo palavras ou frases, acreditando que, com tais atos, podem neutralizar ou impedir que algo terrível aconteça (CORDIOLI, 2008). É um ciclo vicioso que compromete seriamente os contextos pessoal, profissional e relacional dessas pessoas, impedindo muitas vezes de aprender coisas novas, desempenhar seu trabalho e conviver com outras pessoas.

Plantas na janela

EXISTE TRATAMENTO PARA O TOC?

Sim! A Terapia Cognitivo-Comportamental é reconhecido como um tratamento de primeira linha para este tipo de transtorno. A TCC pode ser combinada com tratamento medicamentoso de acordo com a necessidade, conforme avaliação de um psiquiatra.

 

Se você conhece alguém que possa ter TOC, um amigo (a), parente, vizinho (a) e deseja ajudar esta pessoa, você pode começar enviando esse texto e o incentivando a procurar a avaliação de um profissional especializado. O apoio da família e dos amigos torna mais fácil para a pessoa que tem TOC vir a clínica e continuar com a terapia. O seu apoio será essencial durante todo o tratamento!

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Minhas contribuições

Ajudar pessoas a superar o TOC é um dos meus "chamados" como terapeuta. Desde o primeiro paciente que atendi no meu consultório, sempre me sinto muito motivada a trabalhar com essa demanda clínica, muitas vezes pouco compreendida.

 

Não é qualquer psicólogo que consegue ajudar pessoas com TOC. Ser terapeuta de pacientes com TOC requer aprofundamento no assunto para entender e conduzir o tratamento corretamente, além de uma postura de suporte emocional e encorajamento no decorrer da terapia. 

 

Tive a oportunidade, como professora em um Centro Universitário, de criar e coordenar um projeto de extensão chamado NuTOC - Núcleo de estudos e tratamento do Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Foi uma experiência de grande aprendizado e realização profissional. Realizamos ações voltadas para três eixos: capacitação de psicólogos, psicoeducação em escolas, CAPS e postos de saúde e atendimento psicoterápico na clínica escola.

 

Um momento muito especial foi a realização do Encontro de Terapias Cognitivo-Comportamental, em parceria com o IEMB-CE, em que convidamos o Prof. Dr. Aristides Cordioli - referência em pesquisas sobre TOC - para ministrar palestra e mini-curso para psicólogos em nossa cidade.

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Você não precisa passar por isso sozinho.
 
Procure ajuda profissional.
@terapiadotoc

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TOCANDO EM FRENTE

ALMIR SATER

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Ando devagar
Porque já tive pressa
E levo esse sorriso
Porque já chorei demais

Hoje me sinto mais forte
Mais feliz, quem sabe
Só levo a certeza
De que muito pouco sei
Ou nada sei

 

Conhecer as manhas
E as manhãs
O sabor das massas
E das maçãs

É preciso amor
Pra poder pulsar
É preciso paz pra poder sorrir
É preciso a chuva para florir

 

Penso que cumprir a vida
Seja simplesmente
Compreender a marcha
E ir tocando em frente

Como um velho boiadeiro
Levando a boiada
Eu vou tocando os dias
Pela longa estrada, eu vou
Estrada eu sou

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© 2020, Juliane Matos de Moraes Nogueira.

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