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Moldar Cerâmica

TSTOC
Terapia de Superação do TOC

Essa frase se repete no consultório, quase sempre na primeira ou segunda sessão. Costumo responder que não é perspicácia minha. É estudo. É experiência. E é o fato de que o TOC é previsível: independentemente do tema das obsessões — contaminação, violência, religião, relacionamento — o transtorno tem o mesmo funcionamento em todas as pessoas. E porque conheço esse funcionamento, sei o caminho que pode ser percorrido para superá-lo.

A metodologia

O que é a TSTOC — Terapia de Superação do TOC

Foi dessa prática acumulada — sessão a sessão, caso a caso, ano após ano — que nasceu a TSTOC. Uma metodologia integrativa criada para organizar estratégias baseadas em evidências em uma linguagem acessível, prática e estruturada.A TSTOC não substitui o que a ciência já validou. Ela organiza, traduz e coloca em movimento — com conceitos próprios, metáforas clínicas, habilidades e materiais terapêuticos organizados em uma lógica de tratamento que o paciente consegue compreender e usar.No centro da metodologia está uma aposta: a de que psicoterapia pode ser ao mesmo tempo tecnicamente sólida e profundamente acessível. Baseada em evidências e humana.

Como funciona

Nove habilidades. Uma lógica de tratamento.

A TSTOC é organizada em torno de nove habilidades de superação que, juntas, formam um repertório para inverter os comandos que o mecanismo do TOC instalou. Não são respostas fechadas — são ferramentas que o paciente aprende a combinar e acionar de acordo com o que cada momento exige.

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O método treina o Modo Observador — um estado de consciência ativa e metacognitiva — para que esteja disponível exatamente nos momentos em que o TOC tenta assumir o controle. Porque no calor de uma crise, não basta saber o que fazer: é preciso ter treinado o suficiente para responder antes de ser arrastado para dentro do ciclo.Essas habilidades não são intuitivas. São o oposto do que o TOC manda fazer. É por isso que precisam ser aprendidas, praticadas e desenvolvidas com acompanhamento especializado. Mas elas existem. São reais. E funcionam.

Meus próximos passos e
o que vem por aí...

A metodologia está em fase de refinamento e finalização dos seus materiais para a primeira publicação: um livro de psicoeducação voltado tanto para pacientes quanto para profissionais de saúde mental.Em paralelo, está sendo desenvolvido um programa de formação para psicólogos que desejam trabalhar com TOC dentro desta mesma lógica — estruturada, integrativa e orientada à prática clínica real.

Quem nunca viveu o TOC de dentro não consegue compreender a magnitude desse sofrimento. É um cansaço que vai além do físico. É carregar, em silêncio, um peso que a maioria das pessoas ao redor sequer enxerga.

Eu sei disso porque acompanho pessoas com TOC há mais de uma década. Desde o primeiro atendimento, o TOC se tornou um dos meus chamados como terapeuta. Ao longo dos anos, tive a oportunidade de criar e coordenar o NuTOC — um núcleo universitário pioneiro no Ceará dedicado ao estudo e tratamento do transtorno —, de formar outros terapeutas, de levar psicoeducação a escolas e serviços de saúde, e de receber no consultório pessoas que chegavam exaustas, envergonhadas e, muitas vezes, sem acreditar que havia saída.

Muitas delas tinham passado por outros profissionais antes de chegar até mim — profissionais competentes, mas que não eram especializados no tratamento do TOC. E isso faz toda a diferença. Aprendi cedo que não basta ser psicólogo para atender bem quem tem TOC. É preciso conhecer profundamente o transtorno, saber exatamente o que fazer — e o que não fazer.

"Nossa, parece que você me conhece há muito tempo. Parece que você esteve lá em casa pra me ver. Como você sabe exatamente o que acontece comigo?"

© 2020, Juliane Matos de Moraes Nogueira.

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